Kingdom Hearts III: O Fim de uma Era (ou um Novo Começo?)
Introdução
Kingdom Hearts III é, sem dúvida, o projeto mais ambicioso da Square Enix na última década. Com a promessa de encerrar os arcos narrativos iniciados no PlayStation 2 e conectar pontas soltas de uma dezena de spin-offs, o jogo carrega um peso emocional imenso. Como revisor do Reino dos Turnos, mergulhei nesta odisseia de luz e trevas para descobrir se a magia da Disney e a complexidade da Tetsuya Nomura conseguem coexistir em harmonia.
História: O labirinto de corações
A narrativa de KH3 é um exercício de paciência. Se você não jogou os títulos anteriores, você estará perdido em segundos. O jogo assume que você conhece cada detalhe de 'Dream Drop Distance' e 'Union X'. A estrutura do jogo segue a fórmula clássica: Sora visita mundos da Disney, resolve problemas locais e, ocasionalmente, encontra membros da Organização XIII. O problema é que a trama principal só ganha tração real nas últimas 5 horas de jogo. Quando o clímax chega, ele é espetacular, emocionante e satisfatório, mas a jornada até lá parece, por vezes, um grande comercial dos filmes da Pixar e da Disney.
Combate: Um espetáculo de luzes
O sistema de combate é, possivelmente, o melhor da série. Fluido, rápido e visualmente gratificante. A introdução das 'Keyblade Transformations' muda drasticamente a forma como você aborda os encontros. No entanto, o jogo sofre de um excesso de 'facilidade'. As 'Attractions' (ataques baseados em brinquedos de parques da Disney) são visualmente lindas, mas quebram o equilíbrio do combate, tornando Sora praticamente invencível. É um sistema divertido, mas que carece da precisão tática que fãs de JRPGs tradicionais podem buscar.
Gráficos e Som
Visualmente, KH3 é uma obra-prima. A transição para a Unreal Engine 4 permitiu que os mundos da Disney parecessem cenas extraídas diretamente de seus filmes originais. Toy Story e Monstros S.A. são destaques técnicos absolutos. Quanto ao som, Yoko Shimomura entrega mais uma trilha sonora memorável. O tema de abertura e os arranjos de temas clássicos evocam uma nostalgia poderosa que sustenta o jogo nos momentos em que a narrativa perde o fôlego.
Duração
A campanha principal dura cerca de 25 a 30 horas. Para os completistas, o jogo oferece colecionáveis, o minijogo do Flantastic Seven e o desafio da Battlegate, estendendo a experiência para cerca de 50-60 horas. É uma duração justa para o gênero, sem se tornar exaustiva.
Pros e Contras
Pros: Visual deslumbrante que emula filmes de animação; Combate fluido e responsivo; Trilha sonora nostálgica e épica; Encerramento satisfatório para a Saga do Xehanort.
Contras: Trama principal muito lenta e concentrada no final; Excesso de mecânicas automáticas que tornam o jogo fácil demais; Falta de profundidade em alguns mundos da Disney.